Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual: a memória do Maracanã em filmes e transmissões

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Homem com adereços de cabeça e colares em celebração de cultura afro

Boa parte do que se sabe sobre o Maracanã chega por imagem. A multidão de 1950, os dribles dos anos 1960, o milésimo gol de Pelé, as finais transmitidas para o país inteiro: tudo isso existe hoje porque alguém filmou, gravou e, principalmente, guardou. Em 27 de outubro se celebra o Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual, criado pela UNESCO, e a véspera da data é um bom momento para falar do patrimônio audiovisual do futebol e do esforço para que ele não se perca.

Uma data para lembrar que filme estraga#

A UNESCO proclamou o dia em 2005. A escolha de 27 de outubro lembra a adoção, em 1980, da Recomendação para a Salvaguarda e Conservação das Imagens em Movimento, o primeiro instrumento internacional a reconhecer o valor cultural e histórico de filmes e gravações de televisão.

A mensagem central é simples: registros audiovisuais são frágeis. Película, fitas magnéticas e até arquivos digitais se deterioram ou ficam ilegíveis se não forem conservados e migrados para novos formatos.

Do cinejornal à transmissão ao vivo#

A memória audiovisual do Maracanã passa por várias fases técnicas:

  • Cinejornais: antes da televisão se popularizar, as salas de cinema exibiam curtas noticiosos antes dos filmes. O futebol ocupava espaço de destaque, e cinejornais como o Canal 100 ficaram famosos por filmar partidas no Maracanã com câmeras próximas do gramado, closes de jogadores e da torcida e trilha marcante;
  • Televisão em preto e branco: as primeiras transmissões e os compactos de jogos registrados em filme ou em videoteipe;
  • Cor e satélite: a partir dos anos 1970, as transmissões ganharam cor e alcance internacional;
  • Digital e alta definição: das fitas digitais aos arquivos em servidores, com imagens de dezenas de câmeras por partida.

Cada fase deixou um tipo de acervo, com problemas próprios de conservação.

O que se perdeu e por quê#

Muitos jogos históricos não têm registro completo. Há várias razões: nas primeiras décadas, a televisão transmitia ao vivo sem gravar; fitas de videoteipe eram caras e frequentemente reaproveitadas, apagando o conteúdo anterior; incêndios em arquivos e emissoras destruíram acervos; e película guardada em más condições se degradou.

Por isso, partidas importantes do Maracanã são conhecidas só por trechos, fotos e narrações de rádio. Cada fragmento recuperado ganha valor histórico.

Como se preservam filmes e fitas#

Preservar acervo audiovisual é um trabalho técnico contínuo. Os cuidados principais incluem:

  • Ambiente controlado: temperatura baixa e umidade estável, para retardar a decomposição química da película e das fitas;
  • Separação de materiais de risco: filmes antigos em nitrato de celulose são inflamáveis e exigem armazenamento próprio;
  • Duplicação e digitalização: cópias em novos suportes para que o original seja manuseado o menos possível;
  • Migração periódica: arquivos digitais também envelhecem, e formatos e mídias precisam ser atualizados;
  • Catalogação: sem ficha descritiva com data, jogo e personagens, o material existe, mas ninguém encontra.

No Brasil, instituições como a Cinemateca Brasileira e arquivos públicos e de emissoras reúnem boa parte desse material, e iniciativas de digitalização vêm ampliando o acesso.

O estádio como personagem#

O Maracanã aparece nesses acervos não só como cenário, mas como personagem. As imagens mostram a geral lotada, as bandeiras, a arquitetura original com a marquise de concreto e as transformações das reformas. Para historiadores, arquitetos e torcedores, esse material permite comparar épocas e entender como o estádio e o jeito de torcer mudaram ao longo do tempo.

Dúvidas comuns#

Quando é o Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual? É celebrado em 27 de outubro. A data foi proclamada pela UNESCO em 2005 e lembra a recomendação de 1980 sobre a conservação de imagens em movimento.

Por que tantos jogos antigos não têm imagens? Porque muitas transmissões eram feitas ao vivo sem gravação, fitas eram reaproveitadas e acervos se perderam em incêndios ou por má conservação.

Arquivos digitais estão livres de perda? Não. Mídias e formatos digitais envelhecem e podem ficar ilegíveis. É preciso manter cópias, verificar a integridade e migrar os arquivos periodicamente.

Última revisão: 2026. Maracanã Rio 2014.